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Postado em 13 de Abril às 11h00

PAPO DE PROFISSA: Corrida e café

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VAI UM CAFEZINHO AÍ?

Você é daquelas pessoas que só começa o dia após uma xícara de café? Apreciado por boa parte da população, o café, com seu aroma inconfundível, pode inclusive trazer benefícios para a prática esportiva.

Existem diversos recursos ergogênicos, sejam substâncias ou artifícios, utilizados para a melhora do desemprenho em atividades esportivas.

A cafeína há muito tempo é motivo de estudo e, via de regra, apresenta um aumento no estado de vigília, alerta e também na diminuição na sensação de fadiga, o que acabou gerando interesse na comunidade científica num possível benefício na prática esportiva.

A explicação está na ação da substância em nosso cérebro. Entenda: a cafeína é um antagonista do receptor de adenosina. Os receptores de adenosina existem em grande quantidade no nosso cérebro e o maior efeito é diminuir a concentração de alguns neurotransmissores, entre eles, a serotonina, dopamina, acetilcolina, norepinefrina e glutamato. Dessa forma, a cafeína bloqueia esses receptores, mantendo uma concentração maior dos neurotransmissores por um período mais prolongado no sistema nervoso central, resultando nos efeitos citados no parágrafo anterior.

Outros possíveis benefícios da cafeína são redução da dor muscular, da sensação de esforço durante o exercício e aumento da motivação para sustentar um esforço. Também pode trazer ganho na resistência e força muscular, velocidade de movimento, salto, entre outros. Aqui a explicação estaria numa ação conjunta da cafeína nos receptores periféricos e centrais da adenosina envolvidos no sistema nociceptivo (transmissão dos estímulos nocivos periféricos ao sistema nervoso central).

Sabendo da ação desse recurso ergogênico, as revisões acerca da cafeína mostram que o consumo leve a moderado (3 a 6 mg/kg de peso) antes dos exercícios pode auxiliar a performance. Assim como, doses maiores a 9 mg/kg não apresentam benefícios. Ou seja, não adianta ingerir quantidades maiores para se obter mais benefícios, pois há um limite. E quanto maior a dose, maior a probabilidade de efeitos colaterais, como tremores, podendo afetar o desempenho de determinados esportes que requerem precisão, além de provocar distúrbios do sono, ansiedade, palpitações ou aceleração da frequência cardíaca.

Vale ressaltar que existe uma pequena parcela de estudos que não demonstrou benefício na performance com seu uso. E deve ser lembrado o fato de que há uma grande variabilidade da resposta da cafeína entre as pessoas, podendo não funcionar como recurso ergogênico para um determinado grupo.

No café, a quantidade de cafeína é muito variável. Conforme a Organização Internacional do Café, quando torrado ou moído (150 ml) tem uma média de 115 mg (se filtrado) e 80 mg (se coado); já o café instantâneo/expresso (40 ml) cerca de 65 mg.
Quando ingerida via oral, a cafeína aparece no sangue minutos após o consumo e o pico na corrente sanguínea ocorre após cerca de 30 a 120 minutos. Assim, o uso geralmente é recomendado cerca de 60 minutos antes do exercício, quando consumido em cápsula, pois na forma de goma de mascar a absorção é mais rápida.

Hoje, a cafeína está disponível em diversas formas de consumo: cápsulas, goma de mascar, enxaguatório bucal, gel, barras, aerossóis, bebidas energéticas, compostos pré-treino. Sem dúvida, o café é uma das formas mais utilizadas.

A melhora na resistência (atividades de endurance) pode chegar na casa de 2 a 4%, nas doses acima citadas. Para atletas amadores pode não fazer muita diferença, mas para atletas olímpicos pode significar uma medalha. Em uma análise de Doping realizada em competições oficiais nacionais e internacionais entre 2004 e 2008 mostrou que 74% dos atletas de elite usavam cafeína.

A cafeína está na lista de substâncias monitoradas pela Agência Mundial Anti-Doping (WADA) para uso durante competições, ou seja, não é uma substância proibida, mas a Agência monitora possíveis abusos no uso. A concentração urinária considerada dentro dos padrões de normalidade deve ser < 12 microgramas/ml, que corresponde a cerca de 10 mg/kg de massa corporal.

Agora sabendo de tudo isso, você costuma usar cafeína ou tomar café antes das atividades esportivas? Percebe alguma melhora no seu desempenho? Conte-nos sua experiência.

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Wilton César Eckert

  • Medicina pela UFRGS.
  • Cardiologista e Ecocardiografista. Santa Casa de Porto Alegre.
  • Pós-graduação em Medicina do Esporte e do Exercício.
  • Corredor amador.

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