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Postado em 19 de Outubro de 2020 às 15h10

PAPO DE PROFISSA: Como prevenir quadros de hipertermia correndo em dias quentes!

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CUIDADOS COM EXERCÍCIOS EM TEMPERATURAS ELEVADAS

Estamos começando a temporada de temperaturas mais elevadas e, portanto, necessitamos ter mais cuidados com os riscos associados da prática de exercícios nessas condições.

Para que você entenda o comportamento do corpo nessas situações vou explicar de forma breve e didática. Nosso organismo possui mecanismos de regulação da temperatura corporal, sendo 4 as vias principais: convecção, condução, radiação e evaporação. Durante a corrida, por exemplo, cerca de 80% do calor é eliminado pela evaporação (mas somente 20% quando em repouso). Ou seja, ao suar, esse líquido é transformado em vapor pelo calor da pele, ajudando na manutenção da temperatura.
E aqui está uma das diferenças de correr num dia muito quente (por exemplo, 35 graus) e seco ou a mesma temperatura, mas com umidade elevada. No clima quente e úmido o ar já está tão carregado de “água” que o nosso suor não evapora, dificultando a eliminação do calor corporal e a sensação é que suamos mais que o normal. No clima quente e seco, a evaporação do suor ocorre com mais facilidade, ajudando na eliminação e controle do calor corporal. Nessa situação, muitas vezes, o suor evapora tão rapidamente que a sensação é que não estamos suando.
O hipotálamo funciona como nosso termostato. Ao perceber a temperatura elevada, mensagens são enviadas para que ocorra a (1) vasodilatação cutânea para que mais calor seja eliminado através da pele e (2) ativação das glândulas sudoríparas, aumentando a perda de calor pela evaporação do suor. Para ter uma ideia, uma pessoa de 50-75 kg, ao realizar exercício intenso num dia quente, pode perder 1,5 a 3,5 litros de suor por hora.

Parece meio complicado, mas são informações importantes para entender como se comporta nosso corpo nessas condições climáticas.

Vamos agora a uma situação prática para entender melhor: imagine-se participando de uma prova num dia com temperatura de 36 graus. Durante a corrida, a musculatura precisa de um aporte maior de sangue (os vasos locais dilatam) e o maior volume de sangue bombeado pelo coração (débito cardíaco) está direcionado para suprir essa demanda. Mas como está muito quente, o hipotálamo manda a informação para os vasos da pele também dilatarem, assim como ativar as glândulas sudoríparas para que através do suor e da pele o corpo possa eliminar o calor.
Dessa forma inicia uma competição entre o fluxo de sangue para os músculos e para a periferia (pele). Até um determinado momento da prova, o aumento da frequência cardíaca compensa e mantém o débito cardíaco adequado, mas com o suor e demais perdas líquidas, o volume sanguíneo começa a diminuir e consequentemente o débito cardíaco. Assim, o desempenho piora e o controle da temperatura corporal começa a sofrer também.
E quais seriam os sinais de alerta para as complicações provocadas pelo calor? Principalmente cãibras, fadiga, náuseas, dor de cabeça, calafrios, piloereção (“pele de galinha”), tonturas, desmaio e confusão mental. O quadro mais grave é chamado de intermação, que é caracterizado pela interrupção da transpiração, pele quente e seca, confusão mental e inconsciência. Se não tratado de forma rápida pode evoluir para coma e morte.
Por isso, os atletas devem estar atentos aos sintomas durante a corrida. Sintomas iniciais como pressão pulsátil na cabeça e calafrios servem como sinal de alerta para parar o exercício.
Para prevenir o quadro de hipertermia, em dias de temperatura elevada, é muito importante a hidratação constante (a cada 10-20 minutos, de 150 a 300 ml), usar o mínimo de roupa possível, clara para refletir o calor, leve e mais largas para permitir a eliminação do calor.

Tomando todos os cuidados você pode evitar um quadro potencialmente grave e fatal.
Fique ligado!!

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Wilton César Eckert

  • Medicina pela UFRGS.
  • Cardiologista e Ecocardiografista. Santa Casa de Porto Alegre.
  • Pós-graduação em Medicina do Esporte e do Exercício.
  • Corredor amador.

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