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Postado em 15 de Junho às 11h30

PAPO DE PROFISSA: Como correr em baixas temperaturas

  • Vidas Corridas -

Estamos chegando aos meses mais gelados do ano e esta não pode ser uma desculpa
para não se exercitar. Entretanto, devemos tomar alguns cuidados quando a atividade é
praticada em climas muito frios, principalmente quando realizada ao ar livre.

E os cuidados devem ser levados a sério. Há poucas semanas uma tragédia numa prova
de Ultramaratona na China levou à morte 21 corredores. A causa foi uma mudança brusca do
clima e queda acentuada da temperatura durante a prova.

Primeiro, é importante entender como funciona o controle da temperatura pelo nosso
corpo. Nossos isolantes térmicos são a pele superficial e a gordura subcutânea. Por esse
motivo as pessoas com uma espessura da gordura subcutânea maior conservam o calor de
forma mais eficaz. Além disso, o corpo perde calor quatro vezes mais rápido na água do que
no ar na mesma temperatura ambiente.

A adaptação de cada um ao frio pode ser diferente e pessoas que vivem em locais com
temperaturas mais baixas desenvolvem uma tolerância maior ao frio. A explicação pode estar
no fato de o corpo se adaptar e alterar o fluxo sanguíneo periférico e a temperatura cutânea.
Uma pessoa pode morrer após poucos minutos com temperatura corporal muito
baixa. Geralmente a morte ocorre por parada cardíaca, pois ocorre uma diminuição
importante dos batimentos cardíacos e consequentemente a parada.

Por volta de 29 graus Celsius negativos (ambiente) é a temperatura capaz de congelar
dedos expostos, nariz e orelhas. Nessa situação a vasoconstrição dos vasos periféricos é tão
intensa que provoca a “morte” do tecido por falta de oxigênio e nutrientes. Se não for tratado
precocemente pode levar à gangrena. Essa situação pode ocorrer em temperaturas mais
amenas, se houver presença de chuva e vento.

Em temperaturas muito baixas ocorrem algumas alterações nas repostas fisiológicas
do organismo: na função muscular ocorre a redução da velocidade de encurtamento das fibras
e da potência. Dessa maneira, se o atleta tentar manter a mesma intensidade do exercício, vai
apresentar fadiga mais precocemente.

Existem muitos fatores que determinam se o exercício no frio constitui estresse
fisiológico adicional e maior risco de lesão: incluindo o ambiente, o vestuário, a composição
corporal, o estado de saúde, a nutrição, a idade e a intensidade do exercício. Alguns fatores
específicos que aumentam o risco de desenvolvimento de hipotermia incluem imersão, chuva,
vestuário molhado, pouca gordura corporal, idade avançada (≥ 60 anos) e hipoglicemia.

A primeira ideia que vem à cabeça é colocar mais roupa para se proteger do frio. Mas
se você se exercitar com roupa em excesso, seu corpo pode esquentar e iniciar a transpiração.
O suor molha a roupa, a evaporação remove rapidamente o calor e você começa a apresentar
calafrios. Então, as recomendações de vestuário incluem as seguintes considerações: ajuste o
isolamento da roupa para minimizar o suor; utilize aberturas na roupa para reduzir o
acúmulo de suor; não utilize uma camada externa a menos que esteja chovendo ou
ventando muito; reduza o isolamento da roupa à medida que a intensidade do exercício
aumenta; não imponha um único padrão de vestuário para todo o grupo de participantes.
(Diretriz do ACSM – American College of Sports Medicine).

Em situações de hipotermia leve, deve-se proteger a pessoa do frio, colocar roupas
secas e ingerir líquidos quentes. E em casos de hipotermia moderada ou severa deve-se
manipular e pessoa de forma cuidadosa para evitar desencadeamento de arritmias cardíacas e
realizar o reaquecimento lento da vítima, que idealmente deve ser realizado em ambiente
hospitalar.

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Wilton César Eckert

  • Medicina pela UFRGS;
  • Cardiologista e Ecocardiografista pela Santa Casa de Porto Alegre;
  • Pós-graduação em Medicina do Esporte e do Exercício;
  • Corredor amador.

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